O INE divulgou mais uma versão do Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, com dados de base de 2007. Verifica-se que em mais de 300 concelhos apenas 39 registam um indice de poder de compra per capita acima da média nacional. Este dado reflete a forte assimetria regional na distribuição de rendimento e uma associação positiva entre o grau de urbanização das unidades territoriais e o poder de compra. De facto, Lisboa apresenta o IPC mais elevado, os territórios metropolitanos apresentam, na sua generalidade, valores acima da média nacional e os outros destaques são os concelhos de Faro, Coimbra e Aveiro. Este estudo é como um indicador que apesar de algo limitado quanto à diversidade de variáveis utilizadas é uma das melhores peças em produção regular para a compreensão e descrição do país.
Extra: Artigo de opinião publicado no Suplemento de Economia do Diário do Minho
No dia 16 de Novembro, pelas 21h, vai ser emitido pela RTP2 o Documentário “António Aleixo, na terra acho, na terra deixo” sobre a vida e obra do reconhecido poeta do povo, algarvio, ícone da cidade de Loulé e filho de VRSA. Este trabalho contém entrevistas a familiares, amigos, pessoas que lhe estiveram próximas e apaixonados da sua obra. Incluí também uma pequena dramatização filmada nos locais por onde o poeta passou, nomeadamente Loulé, Faro, Bordeira, S Brás de Alportel, V. R. S. António, Cachoupo, Cacela Velha, Albufeira, Tavira, Quarteira, Olhão, Coimbra e Tentugal.
É o nome da exposição que esteve no Museu Municipal de Faro sobre a obra do arquitecto algarvio Manuel Gomes da Costa, pioneiro do Modernismo no Algarve, actualmente com 88 anos. Inspirado a início pela arquitectura moderna Internacional que rompia com os padrões do «Português Suave» desse tempo, nomeadamente em Óscar Niemeyer e na espectacular arquitectura brasileira da época (anos 50 e 60), foi evoluindo até à definição de um estilo próprio.
Gomes da Costa sempre procurou uma Arquitectura leve, minimalista, solta, humana, adaptada ao lugar e ao clima, com vincada expressão plástica por via de avarandados, pérgolas, grelhas, paineis de mosaicos nas fachadas e grandes janelas de vidro.
É responsável por projectos como a ampliação do Colégio de Nossa Senhora do Alto em Faro, a Capela de Santa Luzia, a Cooperativa Agrícola de St. Catarina da Fonte do Bispo, um conjunto de cinco imóveis em Tavira e inúmeros edifícios de habitação unifamiliar e colectiva em todo o Algarve. Destaco alguns dos projectos concretizados em Faro onde tinha a sua residência e ateliê na Rua Reitor Teixeira Guedes. Projectou casas na Ilha de Faro, na envolvente à mata do Liceu, a Casa Milagre (Rua Reitor Teixeira Guedes e Eça de Queiroz), a Casa Gago Rosa na Rua General Humberto Delgado, blocos de apartamentos e serviços (Tridente e Quarteirão Branco na Avenida 5 de Outubro, Edifício Dr. Nogueira na Rua de St. António, Edifcío Pires e Brito junto à Igreja do Carmo) ou o Pavilhão do Farense.
São muitos os desafios que se colocam à capital do Algarve, uma das 5 capitais regionais de Portugal. Recupero alguns de curto prazo. Ao nível do urbanismo, concretizar a variante à En125 e lançar o Metro de superficie, relocalizando à ilharga da cidade a linha de caminho de ferro. Apoiar e potenciar os projectos a executar pela Polis Litoral Ria Formosa e entrelaçar a Ria à cidade. Na cultura e turismo, promover a cultura Algarvia e as suas singularidades, criar uma agenda de eventos coerente que incida sobretudo na Baixa de Faro e no Teatro Municipal, sendo que é necessário recordar o Lethes e recuperar a dignidade da Sé de Faro. É uma prioridade desencalhar a actual situação do Atrium Faro e da Praça da Pontinha que de espaço simbólico (jardim típico português) e focal da cidade passou a espaço inóspito desde a sua requalificação. Por último, a sugestão de criar um espaço de informação urbana (de que o CIUL é um bom exemplo) para consulta de documentação relacionada com o planeamento do território e com função de Imagoteca (arquivo fotográfico que permita uma visita ao passado, a imagens e fotografias antigas, aéreas ou videos).
Em 2008, a Livraria Lello e Irmão no Porto foi considerada a 3.ª mais bela do mundo, fruto do seu interior inspirado nas bibliotecas das mansões inglesas. Nesse ranking o primeiro lugar foi atribuído a uma livraria criada numa igreja e o 2.º a outra que nasceu num antigo teatro. Em ambos os casos são ambientes divinais para se procurar obras da nossa preferência e uma solução interessante para espaços monumentais sub-aproveitados, como por exemplo o Teatro Lethes em Faro. É um teatro pequeno mas uma jóia da arquitectura e que se mantém distante do nosso olhar e sem programação cultural. Foi construído a seguir ao fim da guerra civil de 1830/33 entre liberais e absolutistas, daí o nome do mítico rio romano do esquecimento, uma vez que se tratava de esquecer, por via da arte, da cultura e do entretenimento, as feridas e ódios do conflito. Hoje importa recordá-lo e encontrar soluções para o seu espaço singular e para uma cidade carente de distinção.
Portugal é uma nação com o coração no mar, uma relação histórica e geográfica que nos identifica e posiciona. Além das intervenções imobiliárias contemplativas ou frentes ribeirinhas polismentefranchisadas, o urbanismo pode estreitar e entrelaçar esta relação de forma mais criativa e inovadora. Quem não gosta de ir a um pontão ver as vistas, conviver ou saltar? Em Copenhaga, por exemplo, centenas de pessoas podem usufruir de um Porto de Banhos qualificado como se estivessem numa praia ou num parque aquático longe do centro da metrópole.
Toronto, por seu turno, já está a aplicar um plano alargado para dar legibilidade a décadas de projectos junto do lago Ontário. A plataforma Wavedeck e as milhares de novas amarrações a conectar diversos bairros ao lago, são as principais novidades dessa intervenção.
Destaco também, a um nível mais conceptual, simbólico, a Plaza de España em Santa Cruz de Tenerife. É um exemplo de Praça-Praia que merece um olhar atento. O espaço criado é uma enorme fonte pública, redonda, côncava e tangencial ao monumento que estava no centro da praça original. Exalta a relação entre a cidade e o Atlântico bem como a sua geografia fisica e humana. O branco pérola do centro aparece como um sonho, como versão de uma praia tropical fixa no centro da cidade, um efeito reforçado pelas diferentes quantidades de água que formam o cenário. Os repuchos verticais simulam geyser’s e combinados com as grutas e com os pavilhões envolventes (que representam o enrugamento do solo natural) evocam a formação vulcânica das ilhas. O recorte no fundo da praça reproduz as fundações do antigo castelo e a iluminação baseada em cabos suspensos, as aldeias fêtes.
O projecto de restauro da Sé de Faro tem sido alvo de críticas. São vários os atropelos injustificados à autenticidade e imagem do princípal ex libris patrimonial da cidade. Além dos referidos na petição, existem outros demasiado evidentes como as caixas de electricidade e os cabos encrostados numa das suas fachadas laterais.
O restauro é um assunto delicado, exigente e situações destas podem causar danos irreversíveis. Deixo aqui um exemplo (embora num contexto urbano distinto) que demonstra um processo de restauro íntegro para o edifício e inovador na sua relação paisagística com o espaço adjacente.
O Palácio de Estoi, edificado nos finais do Séc. XVIII, pertenceu inicialmente ao Visconde de Estói, José Francisco da Silva. A construção do Palácio durou cerca de 20 anos, terminando com uma festa grandiosa no dia 2 de Maio de 1909, nos jardins do Palácio. Após a morte do Visconde de Estói, o Palácio foi mantido na respectiva família até 1987, quando foi comprado pela Câmara Municipal de Faro.
Palácio de Estoi
Este edifício é um pastiche rococó e embora a evidente degradação a que chegou, está classificado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico como Monumento Nacional. Está localizado na aldeia de Estói, perto das Ruínas Romanas de Milreu, a 10 Km da capital do distrito do Algarve, Faro.
Agora e após ser recuperado pelo Grupo Enatur, o Palácio de Estoi reabriu nesta Páscoa integrando a oferta das “Pousadas de Portugal – História e Design“. Gonçalo Byrne foi o arquitecto responsável pelo projecto de recuperação e ampliação do palácio.