Presenciando a palestra ”O outro reino – O Algarve Medieval” de Luis de Oliveira, faço algumas notas sobre a singularidade da região.
Num breve enquadramento, o Algarve Medieval retratado (sec. XIII, 1230 a 1260) corresponde à fase de queda do império muçulmano por acção da progressão dos exércitos cristãos do norte peninsular, em direcção de Sevilha. A 3 coroas vigentes à data – Leão, Castela, Portugal, assumem essa meta. No âmbito da progressão portuguesa, liderada por ordens e concelhos , a conquista de Ayamonte e Cacela em 1240, afigura-se como um marco importante para os propósitos económicos/ religiosos. Nisso, o restante Algarve permanece num stand-by. A sua conquista precipita-se após Castela tomar Sevilha. A coroa Portuguesa conquista Faro e demarca território através da fundação de Castro Marim e reforço de Alcoutim.
Neste contexto, o Algarve (considerado todo o território a ocidente de Sevilha) parte-se em dois. Com a conquista de Faro, as trocas com o Norte de Africa também param. O Algarve fica quase isolado: mar, rio e uma orografia demarcadora a Norte, a par de uma continuidade despovoada que o Alentejo proporciona.
Além deste isolamento, a singularidade da região Algarvia também se deve à influência moura mas não tanto como é tradicional afirmar-se. Sabe-se hoje que a ocupação muçulmana foi bastante “leve” ao nível religioso. A população algarvia tinha uma religiosidade própria e não existe pressão por parte do império muçulmano para alterar essa realidade. Mesmo após, com o império cristão e integração no território Português, o Algarve verifica um número reduzido de igrejas.
É uma região finisterra, um outro reino que permaneceu relativamente desconexo, com uma autonomia cultural. Outras singularidades:
- O próprio nome. Orlando Ribeiro, geógrafo, do início do século XX, destaca o facto de terem sido dados nomes às regiões consoante o posicionamento ou a natureza geográfica (Trás-os-Montes, Entre Douro e Minho, Beiras…) e no Algarve apenas se adequou a anterior designação de Algharb.
- Segundo monografia do ínicio do séc. XX, as gentes são fisicamente diferentes, provalmente devido aos laços de sangue passados com os muçulmanos.
- O dado histórico da anexão ao titulo do Rei: Rei de Portugal e dos Algarves.
- A lingua. Mesmo após a reconquista persistem diferenças. Com fracos fluxos migratórios e conforme se pode analisar neste estudo de Fraga da Silva, a plena uniformização da lingua só ocorre no séc. XVIII, com prévio aportuguesamento. A designada algarviada significa no dicionário: “linguagem confusa, difícil de perceber por conter termos de várias línguas..“.
- Existem ínumeros relatos, nomedamente de Geógrafos, que indicam a especificidade de costumes e práticas distintas de fazer vinho, azeite, etc..
Sugestão de sites Algarvios sobre geografia histórica:
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Imprompto - Geografia Histórica do Algarve e do Sul de Portugal.
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